Page 39 - ED-TPS05
P. 39
REVISTA
T T ENTREVISTA ESPECIAL
TOPOPSPINSPINOPSPIN
A REVISTA DO TÊNIS DE MESA
meu primeiro contato com o tênis de mesa no responsabilidade de ser apontada como uma
exterior no Mundial Escolar na França, enfrentei atleta de futuro?
várias das melhores atletas do mundo da categoria
e ver que não estava tão longe, me fez querer ainda Victoria - Foi uma experiência muito especial, mas
mais e passar a acreditar que poderia chegar lá. também desafiadora. Quando você passa a ser
Entrar para a seleção adulta em 2022 foi uma vista como uma promessa ou faz parte de um grupo
confirmação, e desde então o tênis de mesa virou de seleção, naturalmente surgem expecta vas,
meu projeto de vida. tanto das pessoas quanto de você mesma. No
começo, eu sen a que precisava provar que
Revista Topspin - Em 2022 você chegou ao topo do merecia estar ali, e isso gerava uma pressão extra.
ranking nacional absoluto ainda muito jovem e Com o tempo, fui entendendo que o mais impor-
passou a ser vista como uma das grandes tante não era corresponder ao que os outros
promessas do tênis de mesa brasileiro. Como foi esperavam, mas con nuar evoluindo diariamente
lidar com essa mudança de expecta va e com a e jogando por mim. Hoje procuro focar muito mais
no meu processo do que nos resultados imediatos.
Sei que o caminho de um atleta de alto rendimento
Arquivo Pessoal
é feito de altos e baixos, e aprender a lidar com isso
foi essencial para con nuar crescendo.
Revista Topspin - Você viveu uma transição
importante das categorias de base para o adulto.
O que considera mais di cil nessa passagem: a
parte técnica, a intensidade das compe ções, o
aspecto psicológico ou a necessidade de
amadurecer fora da mesa?
Victoria - Acredito que o aspecto psicológico seja o
maior desafio. No adulto, pra camente todas as
atletas têm qualidade técnica e sica, se esforçam,
treinam diariamente, se alimentam bem. Muitas
vezes, a diferença está na capacidade de lidar com a
pressão, manter a confiança nos momentos di ceis
e tomar boas decisões durante a par da. Essa
experiência realmente só ganhamos com o tempo.
Além disso, acredito que existe um amadureci-
mento que acontece fora da mesa. Aprender a
viajar sozinha, morar em outro país, organizar a
ro na, cuidar da alimentação, da recuperação e
entender que tudo isso faz parte da nossa perfor-
mance. Hoje treino na França também e tenho
certeza que essa experiência acelerou muito esse
processo de amadurecimento. Acho que ser atleta
Revista TopSpin 39

