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REVISTA
TOPOPSPINSPINOPSPIN
T T CULTURA
A REVISTA DO TÊNIS DE MESA
DA ERA ARTESANAL DAS COLAS RÁPIDAS À ALTA
TECNOLOGIA DAS BORRACHAS TENSIONADAS, O
TÊNIS DE MESA VIVEU UMA REVOLUÇÃO SILENCIOSA.
NO BRASIL, QUE ANTES VIA O ESPORTE COMO
RECREAÇÃO, ATLETAS E FÃS APRENDERAM A
RESPEITÁ-LO — E A VIBRAR COM ELE.
CLÁUDIO KANO
FOI O ROSTO DO
Nos anos 1990, jogar tênis de mesa no Brasil era
quase um ato de resistência. Fora dos clubes e dos
poucos centros de treinamento, o esporte ainda era TÊNIS DE MESA
confundido com lazer de recreio. “Pingue-pongue”, BRASILEIRO POR
diziam. Poucos sabiam que, por trás daquela bolinha
leve, havia tá ca, reflexo e um nível técnico comparável MAIS DE UMA
a qualquer modalidade olímpica. Ser mesatenista era,
em parte, lutar por reconhecimento — inclusive dentro DÉCADA.
do próprio país.
Mesmo assim, havia paixão. Quem começou
naquela época lembra bem: o som da bola impulsio-
nada pela cola rápida, o cheiro forte de solvente e o
ritual de colar e descolar borrachas em busca do “ponto ritmo era mais cadenciado, quase contempla vo. Havia
perfeito”. Cada raquete era personalizada, cada golpe tempo para pensar, respirar, estudar o adversário e
carregava memórias de horas de treino, pequenos mudar a estratégia durante o ponto. Cada rally era uma
ajustes e descobertas individuais. Era artesanal, visceral conversa silenciosa entre os jogadores, feita de
— e profundamente pessoal. paciência, variação e precisão. Quem errava pouco e
E havia também a sensação de invisibilidade. pensava rápido, vencia.
Jogadores eram vistos como curiosos, recrea vos ou Era também o tempo de ídolos que inspiravam
mesmo perdedores de tempo. Muitos ouviam comen- gerações — e ninguém foi mais emblemá co que
tários do po: “Ah, isso não é esporte de verdade”. Para Cláudio Kano. Carismá co, talentoso e incansável, Kano
quem vivia aquilo, havia um orgulho silencioso, quase foi o rosto do tênis de mesa brasileiro por mais de uma
rebelde: jogar bem não era apenas vencer, era resis r. década. Sua morte precoce, em 1996, deixou o país
órfão — não apenas de um campeão, mas de um
O TEMPO DOS 21 PONTOS símbolo.
Ao mesmo tempo, vivia forte a geração caneta,
E OS HERÓIS NACIONAIS herdeira do es lo japonês e coreano: jogadores que
faziam da empunhadura uma extensão do corpo, com
Nos anos 1990, os sets iam até 21 pontos. O velocidade e precisão quase coreografadas. Era bonito
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